Categorias
Comunidade EmpresaNet
Inscreva-se no LinkedIn e venha participar do grupo EMPRESANET no LinkedIn
Publicidade
Publicidade
Liderança e Psicanálise
- 26/1/2011
- Categorizado em: Liderança, Treinamento e Desenvolvimento
CONSELHO BRASILEIRO DE PSICANÁLISE ( I.N.N.G.)
A DESCOBERTA DA PSICANÁLISE
Autor: Dr. Gastão Pereira da Silva
(in memoriam)
l — O que o hipnotismo encobria
Freud era ainda um médico muito jovem quando descobriu o método de cura pela Psicanálise. Empregava ele o hipnotismo, no tratamento das afecções nervosas, quando começou a notar que as ideias, ou melhor, os fatos esquecidos pelo paciente, eram perfeitamente relembrados logo que os enfermos sofriam a ação da força hipnótica.
Uma vez despertados da hipnose, "esqueciam-se", porém, os doentes, de tais ocorrências, não tendo assim nenhuma ideia consciente do que se havia passado. Pois bem. Durante esses tratamentos, principiou a observar que os seus clientes apresentavam uma certa "resistência" em confessar as reminiscências "esquecidas", tornando-se, às vezes, uma barreira quase intransponível.
Segundo o grau, a extensão de "resistência", pôde então concluir que as lembranças desmemoriadas, na vida consciente, se achavam profundamente cavadas no espírito dos enfermos.
Para que elas se apresentassem, seria preciso, portanto, vencer, certamente, "alguma coisa" de forte que se opunha tenazmente à exteriorização das ideias "soterradas".
Por outro lado, essas deslembranças estavam sempre ligadas a acontecimentos desagradáveis, penosos, considerados pelo indivíduo como questões dolorosas ou vergonhosas às aspirações da personalidade.
O hipnotismo encobria, assim, um jogo de forças que precisava evidenciar-se. Freud começou a pensar que todo segredo desse jogo de forças consistia em dominar a "resistência" dos enfermos.
Mas se essa "resistência" era vencida pelo hipnotismo apenas, isto não lhe bastava, porque, após o sono hipnótico, ela de novo se apresentava, impedindo que as ideias viessem à tona da consciência.
Não seria a falta de libertação dessas lembranças, em estado de vigília, a causa dos distúrbios nervosos de seus pacientes?
2 — A paciente histérica
A pergunta se achava sem resposta, quando um seu colega e amigo, Prof. Breuer, com quem Freud privava todos os dias, observou na sua clínica, também de hipnotismo, o seguinte caso:
Submetida ao sono hipnótico uma senhora histérica revelara-lhe certa e determinada lembrança, esquecida por completo na vida desperta e de real interesse clínico. Tratava-se uma moça histérica, de 21 anos de idade, inteligente e culta. Tendo adoecido (a enfermidade durou dois anos), apresenta inúmeras perturbações físicas e além de muitos outros fenômenos psíquicos, tinha a mais uma paralisia de ambas as extremidades do lado direito, com anestesia (insensibilidade), cujo sintoma se estendia, por vezes, até o lado oposto. Várias outras perturbações também eram observadas: anormalidade dos movimentos oculares, dificuldade em manter a cabeça erguida, tosse nervosa, repugnância alimentar, impossibilidade beber água, apesar da sede martirizante, etc. Tais distúrbios chegaram a ponto de inibi-la de compreender a língua materna e tantas outras coisas que alteravam inteiramente a própria personalidade. Notava-se que no estado de confusão mental, a doente murmurava palavras que pareciam relacionar-se com males que a afligiam.
Sujeita ao hipnotismo, a paciente reproduzia fantasias ou devaneios profundamente tristes, muitas vezes até de real beleza poética. Estas iniciavam-se, quase sempre, descrevendo a situação de uma jovem à cabeceira do pai enfermo. Depois de desafogada a fantasia, sentia-se como que aliviada. Tal estado durava, porém, algumas horas para, ao dia seguinte voltar de novo. Durante a hipnose os sintomas desapareciam.
Pois bem. Ninguém até então removera por tal meio os sintomas histéricos de ordem corporal. Pesquisados os síndromes dessa mesma enfermidade em outros pacientes, pôde Freud realmente chegar à conclusão de que todos eles se formam à custa de reminiscências afetivas, que valem como verdadeiros "traumas psíquicos", cujos sintomas se relacionam com as cenas traumáticas que os produzem.
Assim, todos os distúrbios da doente não passavam de impressões penosas, fixadas durante o tempo em que ela se dedicava ao pai enfermo.
3 — As ideias soterradas
Certa noite, velava o pai, em estado de superexcitação nervosa, pois se esperava de Viena um cirurgião que haveria de operá-lo. Ausente sua mãe, sentada à cabeceira do doente, passou a filha o braço sobre o espaldar da cadeira e, num semi-sonho, viu, como que se viesse da parede, uma cobra que rastejava, em direção ao leito do pai, para mordê-lo. (Provavelmente — diz Freud — no quintal da casa existiam cobras, assustando anteriormente a moça e fornecendo agora o material da alucinação.).
Nessa alucinação pretendeu ela afastar o animal, mas estava como que paralisada, o braço direito (estendido no espaldar da cadeira) ficara adormecido. Quando o contemplou, seus dedos transformaram-se em cobrinhas, cujas cabeças eram caveiras (as unhas). A anestesia do braço associou-se assim à alucinação da serpente. Quis em seguida rezar, mas não achou palavras em idioma algum.
Com a reconstituição desta cena durante a hipnose, foi removida a paralisia do braço que existia desde o começo da moléstia e a paciente curou-se.
Todos os sintomas, como as perturbações visuais, a sede, etc., etc., achavam-se ligados aos cuidados da moça ao leito do pai e são minuciosamente esclarecidos por Freud. Para nós, entretanto, é suficiente o presente resumo, o qual nos dá, perfeitamente, uma ideia do caso histórico que levou Freud a descobrir a Psicanálise.
Quando, depois, começou ele a empregar o mesmo critério nos seus enfermos, pôde confirmar a veracidade do fenômeno ocorrido neste caso clínico. Se antes o hipnotismo era empregado para os fins comuns a que ele se destina, já agora lhe servia como um método "catártico". Isto é, o doente "vomitava" os seus desejos inconfessáveis, através da hipnose, assegurando, assim, o diagnóstico de suas perturbações e, ao mesmo tempo, libertando-se de seus males, quer físicos, quer psíquicos, uma vez dissolvidos os sentimentos profundos inconfessáveis.
Ora, até então, a todos os cientistas, inclusive Charcot repugnava a concepção psicológica da histeria, justamente porque, não raro, ela também se manifesta com sintomas igualmente orgânicos (paralisias, etc.). Diante, porém, desse caso já não havia mais dúvida de que tais sintomas emocionais procuravam outras vias de exteriorização, refletindo-se na trama nervosa.
Tudo não passava de uma conversão (os males psíquicos são convertidos no físico), como assim chamou o mestre, discordando, portanto, das opiniões correntes.
O fato provocou as mais sérias controvérsias entre professores e discípulos, pois demonstrava cabalmente que a histeria podia manifestar-se em homens, derrubando uma velha teoria de que a neurose era fundamentalmente feminina, de onde até lhe veio o nome clássico hysteron, útero.
4 — A revelação
Freud já podia ter a certeza de que os sintomas nervosos, apresentados na sua clínica, eram movidos por essas lembranças dolorosas, adormecidas no fundo do espírito e das quais não tinha a consciência, até então, nenhuma ideia. Valiam elas como verdadeiros traumas na alma humana, desconhecidos por completo dos enfermos, porque eles o haviam esquecido. Entretanto, desde que esses traumas viessem a ser desmascarados à luz da consciência, analisados friamente por esta, todos os sintomas cessavam.
Assim, os pacientes de Freud tinham também que "saber" o que lhe era acessível na hipnose, trazendo ao âmago da consciência todo o "esquecido" mórbido de suas vidas.
"O processo empregado, diz Freud, havia de ser mais trabalhoso, porém mais elucidativo. Abandonei o hipnotismo e só conservei dele a maneira de colocar o meu cliente em decúbito supino, sobre um divã, ficando eu por trás dele, de forma a não ser visto."
E com esse novo processo, a que deu o nome de PSICANÁLISE, Freud pôde concluir, então, depois de infinitas experiências, que o homem não vive apenas a vida do seu psiquismo consciente e que uma outra vida palpita nas esconsas camadas do espírito humano. E é precisamente essa vida interior, profunda, indevassável, até hoje, que a Psicanálise estudou, estuda e continua observando.
Através dessa vida interior, a ciência de Freud sai do campo restrito da Medicina para ganhar o domínio do inconsciente.
Psicanálise é, portanto, a Ciência do Inconsciente.
Psicanálise seria tal e qual o nome indica, a análise do psiquismo. Por isso é comum falar-se de psicanálise em outras esferas de pesquisas mentais.
Desde que Freud, porém, lhe deu uma acepção mais profunda e perfeitamente definida, ninguém mais deve aplicar o nome de psicanálise a outras investigações que não estejam de acordo com os problemas do inconsciente.
A Psicanálise, como vimos, nasceu de uma experiência clínica e, inicialmente, só foi aplicada como processo terapêutico no tratamento das neuroses.
Revolvendo, porém, a vida inconsciente dos pacientes, esta região do espírito abriu-se, na ciência, como um novo panorama, desconhecido até então, esclarecendo infinitas concepções errôneas, tidas e havidas como certas, na órbita do Conhecimento.
Publicidade
Artigos Recentes
Líder explosivo compromete resultado
- Artigo
- 10th May, 2012
- Gestão de Carreira
- No Comentários
A liderança autoritária pode até funcionar, em algumas situações, com pessoas receosas de perder o emprego e, naqueles casos, cujos membros da equipe não têm alternativas, devido ao pouco desenvolvimento profissional. Por Sonia Jordão
Exercendo a liderança nos tempos atuais
- Artigo
- 4th April, 2012
- Gestão de Carreira
- No Comentários
Liderar é a arte de conduzir as pessoas para que façam o que é necessário por livre e espontânea vontade. É também conseguir os resultados esperados através de outras pessoas. Um líder especial consegue extrair o melhor de cada pessoa porque, para ele, as pessoas são o que há de mais importante em seu trabalho. A propósito, a liderança é uma característica a ser desenvolvida.
Exercendo a liderança em diferentes situações
- Artigo
- 27th February, 2012
- Gestão de Carreira
- No Comentários
A liderança situacional se baseia no princípio de que, o estilo de liderança a ser utilizado, depende mais da situação do que da personalidade do líder.
Dicas para os que lideram pessoas
- Artigo
- 14th February, 2012
- Gestão de Carreira
- No Comentários
O líder precisa saber administrar pessoas, esse é o diferencial. Ele deve ir até elas. Dessa forma, fará com que sua equipe sinta-se mais participante e motivada. Isso aumenta a relação de confiança entre todos. Por Sonia Jordão
De vendedor a líder de equipe
- Artigo
- 24th January, 2012
- Gestão de Carreira
- No Comentários
Algumas vezes, um excelente vendedor é promovido a líder de sua equipe e fracassa na nova função. Acredita-se que a promoção seja um prêmio ao vendedor, mas depois descobre-se que ele não tem as competências e as características necessárias para o novo cargo.
Estratégia ou tática - A busca pelo início do círculo!
- Artigo
- 16th January, 2012
- No Comentários
Você é gestor, sua empresa não está decolando, as informações são contraditórias e as decisões e medidas parecem não surtir efeito?
Vá ao mercado, é melhor ver uma vez do que escutar cem vezes.
Não adianta ter uma estratégia brilhante se a possibilidade de execução é zero.
Sua empresa está precisando se reposicionar no mercado?
- Artigo
- 16th January, 2012
- Empreendedorismo, Liderança, Marketing
- No Comentários
A essência do posicionamento é saber QUANDO a mudança precisa ser feita.
Conheça sua equipe
- Artigo
- 22nd December, 2011
- Gestão de Carreira
- No Comentários
É de grande importância que todo líder conheça os membros de sua equipe e respeite suas individualidades. Há pessoas que apresentam um conjunto de características comuns e através delas podemos dizer que a maioria das pessoas se enquadra dentro de um dos tipos a seguir.
Conceitos de liderança visando obter bons resultados
- Artigo
- 16th December, 2011
- Gestão de Carreira
- No Comentários
Cada pessoa costuma ter o seu próprio conceito de liderança e sabem que cada situação exige um tipo de líder. Pais, religiosos e empresários podem em determinado momento exercer a liderança.
Conceitos de liderança visando obter bons resultados
- Artigo
- 21st November, 2011
- Gestão de Carreira
- No Comentários
Cada pessoa costuma ter o seu próprio conceito de liderança e sabem que cada situação exige um tipo de líder. Pais, religiosos e empresários podem em determinado momento exercer a liderança. Isso acontecerá sempre que desejarem levar outra pessoa em uma direção específica, sempre que quiserem influenciar o outro a tomar certas atitudes.