Lideranças e virtudes

Por Sonia Jordão

A visita do Papa Bento XVI ao Brasil fez com que algumas pessoas me questionassem sobre as diferenças entre um bom líder empresarial e um bom líder religioso. Aproveitei essas perguntas e minha experiência em liderança para refletir sobre o assunto. Se liderar é conseguir influenciar as pessoas a fazerem o que queremos, o desenvolvimento como líder se aplica a toda situação, uma vez que liderar nada mais é do que uma relação interpessoal e nesses dois casos existem liderados envolvidos.

A grande diferença está nos resultados e objetivos a ser atingidos. No mundo corporativo, geralmente, precisa-se atingir metas financeiras e melhorar a produtividade, entre outras situações. Já nas igrejas, os líderes são mestres que, principalmente, precisam alimentar a fé das pessoas para acreditarem em determinada filosofia ou doutrina religiosa. A constante motivação talvez seja a principal função dos líderes religiosos. Claro que nas empresas também é preciso se preocupar em incentivar os liderados, porém essa não é a principal função do líder empresarial.

Independente da situação, ao liderar é preciso planejar o que deve ser feito e definir os resultados esperados. É certo que quando não se sabe onde se quer chegar, qualquer resultado serve. Também é necessário controlar, ou seja, checar se o planejamento está sendo executado, ou se serão necessárias alterações para atingir os objetivos. Um bom líder precisa ter isso em mente, atuando em casa, no trabalho, ou em qualquer organização, que pode ser uma igreja ou comunidade. É preciso preocupar-se com o planejamento e controle da situação.

Fazer sozinho é uma coisa, mas quando se tem uma meta, cujo processo passa por outras pessoas, somente agindo como um bom líder será possível obter os melhores resultados. O líder fará o possível para conhecer seus liderados e assim saberá como incentivar as pessoas para atingirem os objetivos em comum.

Liderar é fazer com que os outros façam voluntariamente o que se precisa. É conduzir as pessoas em direção a um propósito, às vezes influenciando seus comportamentos. O líder moderno não dá ordens e, muito menos, controla ou pune. Ele colabora, orienta, desenvolve conhecimentos e habilidades, apóia-se na solução de problemas e reconhece o esforço e o mérito pessoal de cada integrante de sua equipe. As pessoas são a razão de existir de um bom líder. Ele precisa ter isso em mente o tempo todo.

Líder é aquele que mantém pessoas que acreditam nele e, geralmente, para não dizer sempre, possuem seguidores. Entretanto, quando o foco é a organização, pode-se dizer que líderes são aqueles que conseguem os resultados esperados através de outras pessoas. E tanto a empresa quanto a Igreja são exemplos dessas organizações. Aliás, o mundo corporativo que é muito mais novo do que a Igreja e o exército, usou, no início do capitalismo, a hierarquia dessas organizações para se estruturar.

Um exemplo interessante de se analisar é o papa Bento XVI, líder da Igreja Católica, em visita ao Brasil. Ele possui uma difícil missão: dar continuidade ao legado de seu antecessor: o carismático João Paulo II – um líder servidor por natureza. João Paulo era um daqueles líderes que conseguia a admiração até de seus adversários de crença e ideologia.

Bento XVI não tem o mesmo carisma do anterior, o que dificultará sua atuação. A mesma situação acontece muitas vezes nas empresas quando, por algum motivo, perde-se um bom líder e, com isso, são criadas muitas dificuldades em relação ao novo profissional que assume a função.

Um dos maiores líderes da humanidade foi Jesus Cristo. Ele tinha algumas características que todos os líderes deveriam procurar ter. São elas: ser muito compreensivo e inspirador; ter o dom da oratória, seu discurso era simples e claro; ser um grande conselheiro; possuir humildade e compaixão. Mas, sobretudo, era detentor da confiança de seus discípulos, acessível e comprometido e, além de tudo isso, tinha fé. É impossível ser um líder como ele, mas podemos imitá-lo em suas qualidades de liderança para sermos líderes melhores. Isso serve para qualquer instituição, quer seja privada (empresa), governamental ou não governamental, inclusive como é o caso da Igreja.

E como fica a resposta à pergunta ― o papa Bento XVI é um líder? Acredito que sim, caso contrário não teria chegado aonde chegou. É claro que ele influenciou várias pessoas a acreditarem nele.

Uma coisa é certa ― É praticamente impossível algum líder ter todas as qualidades necessárias. Portanto, quem quiser se tornar um grande líder, precisará desenvolver aquelas virtudes que não possui.

Sonia Jordão é especialista em liderança, palestrante, consultora empresarial e escritora. Autora do livro “A Arte de liderar – Vivenciando mudanças num mundo globalizado”, e dos livros de bolso “E agora, Venceslau? – Como deixar de ser um líder explosivo” e “E agora, Lívia? – Desafios da liderança”.

Sites: www.soniajordao.com.br, www.tecernegocios.com.br, www.umnovoprofissional.com.br, www.tecerlideranca.com.br, www.editoratecer.com.br.
 
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